sábado

O Que Pensamos Uns Dos Outros


Às vezes gostava de dizer a algumas pessoas exactamente o que penso delas.
Sem filtros, sem convenções sociais, sem medo.
Já sei que me arriscava a ouvir o que elas pensam de mim, mas para dizer a verdade, até preferia saber a opinião sincera e não a açucarada, aquela que fica bem dar, a politicamente correcta.

Acho de uma hipocrisia imensa andar a passar as palavras de algumas pessoas por uma peneira, tentando entender o que é verdade e o que é, obviamente, mentira; abanando a cabeça para dizer que sim, como aqueles bonecos parvos que se colocavam nos tabliers dos carros.

Claro que também posso ignorar simplesmente tais pessoas, partir do princípio que tudo ou quase tudo o que lhes sai da boca para fora é mentira, tanga pura, pedidos patéticos de atenção. Claro que não preciso de me incomodar.
Mas irrita-me. Comicha-me.
Apetece-me confrontá-las. Eu sou boa no confronto.
Consigo ser tanto mais impiedosa quanto menos preciso da pessoa em questão.

E se estivesse a lidar com gente razoável era exactamente o que faria.


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