quarta-feira

Não Melhor, Não Pior, Mas Diferente





No outro dia estive a ver um programa sobre perturbações de personalidade em jovens adultos nórdicos. Eram todas pessoas bem sucedidas nos seus trabalhos, embora a maior parte deles trabalhasse a partir de casa, assim como eu.

O problema deles não se prendia com a inteligência (ou falta dela) nem tão pouco com as competências profissionais que tinham, mas com a incapacidade de criarem laços sociais e afectivos. A maior parte deles não sabia como interagir com os outros, não sabia construir relações de espécie alguma e apesar de todos estarem conscientes de que vivemos em sociedade e por isso precisamos uns dos outros, todos achavam insuportável ter de conviver de acordo com os padrões sociais.
Alguns sofriam de distúrbios obsessivos compulsivos, outros de depressão, outros ainda de síndroma de défice de atenção. Nenhum ignorava ou desvalorizava o seu problema e todos reconheciam que a medicação ajudava.

Uma das miúdas disse uma frase, já para o fim do programa, que me ficou na cabeça.
Porque a maior parte de nós acha que ser-se são é ter as engrenagens todas bem oleadinhas, a funcionar em pleno. Quem não tem é "louco", "maluco" ou "não funciona dos pirulitos".
Quem tem uma maneira diferente de viver a vida não é necessariamente louco ou maluco, é apenas diferente num determinado aspecto. Não é melhor, nem pior. É diferente.

A frase que me ficou na memória é esta:

Tenho direito a ter um lado de mim que não funciona...

E eu, que também tenho alguns lados meio kaput espero nunca me esquecer dela.


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1 comentário:

Ana C. disse...

Tenho dias em que acho que sim, que todos temos direito a ter um lado nosso que não funciona (eu tenho vários). Tenho outros dias em que acho que são todos loucos e eu vivo rodeada deles. Outros em que acho que sou eu a louca.
Enfim, tem dias.