quinta-feira

Enterrados Vivos!


Imagens tiradas da Net

Ontem estava a ver aquele canal fabuloso que é o TLC e que só passa programas da tanga (daqueles que ninguém vê mas que toda a gente comenta e critica!).
O programa que estava a dar era sobre as pessoas que acumulam coisas; chama-se Burried Alive. É um nome apropriado, porque a maior parte das pessoas que entram no programa nem conseguem ver o chão das casas, caminham literalmente por cima dos montes de tralha com que vão enchendo as divisões, dormem em metade dos colchões da cama porque a outra metade está cheia de roupa, cestos e caixotes e os senhores do programa de ontem tinham varões de roupa espalhados por toda a cozinha, cheios de roupa pendurada, chegando ao cúmulo de terem o microondas escondido por baixo de vestidos, camisas e afins...
Dizer que aquilo me faz uma impressão descomunal é pouco. E até compreendo a beleza de guardar coisas que um dia podem "fazer falta" ou "dar jeito para qualquer coisa". Eu também gosto de guardar cenas.
Mas para chegar àquele ponto, para se chorar quando o terapeuta convence a pessoa a desfazer-se de um dos quatrocentos e tal bonecos de peluche que tem, é preciso ter muita coisa estragada cá dentro. É preciso tratamento a sério.
Quando vejo este programa, faz-me confusão como as pessoas conseguem viver assim, mas compreendo que elas não vivem assim porque querem; a acumulação de objectos será sempre um sintoma de uma outra carência, de uma insuficência emocional, social, o que for. E mesmo aqueles que guardam os pratos descartáveis sujos em cima da bancada da cozinha porque podem vir a precisar deles (ei, estão sujos!), as garrafas de plástico de refrigerantes porque podem precisar de as encher com água e os pacotes de cereais vazios porque um dia os vão levar para o ecoponto, me suscitam pena, constrangimento.
Acho que são pessoas doentes e precisam de ajuda.
E isto vai de encontro ao que disse aqui há pouco tempo: quando nos falta alguma coisa por dentro, quando alguma coisa não está bem resolvida, não é a adquirir coisas materiais que se resolve o problema. Não é a enterrar a cabeça na areia que o que está partido se conserta.

Ouvi durante muitos anos uma frase que achava um pouco redundante, mas que ao pensar neste tipo de situações faz sentido: O caminho faz-se caminhando. Estas pessoas para resolverem os seus problemas, têm de começar por algum lado. Algumas começam por deitar fora coisas de que não precisam realmente, outras por fazer terapia, mas todas iniciam um caminho, um percurso que as vai levar ao destino, que é o conforto, a paz, o bem-estar.

Rodeados de mais ou menos tralha, não é o que todos queremos?

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3 comentários:

Ana C. disse...

Tu não disseste: O caminho faz-se caminhando, pois não????
Também costumo ficar grudada nestes malucos e morro de pena. É uma compulsão, como qualquer outra e deve ser tramadíssimo para o próprio e para quem vive com ele. Eu acho que pegava fogo à casa.
A quantidade de programas sobre psicoses e dramas que este canal tem, dava para encher uma vida inteira.
Outro dia apanhei um que se chamava:
Paralítica e grávida.

Ana. disse...

Ahahahaha! Esteve vai não vai para ser o título do post!!!!

Ó pá, Paralítica e Grávida é para lá de bom! Ainda não apanhei, mas vou "botar conta"!!
;)

Naná disse...

Ana, também vi há umas semanas um desses episódios e infelizmente vi uma compulsão no estado extremo e recordei o meu pai, que nos últimos dias de vida começou a desenvolver esse tipo de comportamento, mas num grau muito inferior... mas nem te digo quantos sacos de embalagens de leite levei para a reciclagem...
No entanto, ele tinha um tumor na hipófise e que estaria em crescimento havia anos... se terá tido influência neste tipo de comportamento ou não, nunca saberei.
Mas era complicado... dizer-lhe que tinha que levar as coisas para o ecoponto e ele responder sempre que "sim, logo levo"... foram inúmeras as vezes que tive que levar às escondidas dele...