quarta-feira

Venha Mais Um


Numa época em que o país atravessa uma crise medonha, em que todos andamos assustados com o futuro e em que todos sabemos que é preciso fazer alguma coisa, custa-me um bocadinho ver aquelas pessoas que vivem apenas de glórias passadas.
Sim, o 25 de Abril foi importante, mudou a nossa sociedade para melhor.
Mas o que precisamos neste momento é de uma revolução diferente, de um novo ponto de ruptura com o que foi mal feito nestes últimos 38 anos.
Eu não tenho soluções milagrosas, mas se estivesse na minha mão, começava por responsabilizar as pessoas - políticos incluídos - que nos deixaram chegar a este ponto. Mexia em bancos - como é que o banco onde tenho o empréstimo da casa tem a lata de me enviar revistas a dar conta dos milhões que teve de lucro no ano que passou, se no mesmo ano me cobrou taxas de manutenção disto e daquilo, se não me desceu o spread, se não me deu benefício nenhum? - mexia na Segurança Social - como é que pessoas que estão a trabalhar e a ganhar dinheiro continuam a receber subsídio de desemprego? Como é que eu, que pago uma batelada não tenho direito ao mesmo subsídio? - mexia no Sistema Nacional de Saúde - a minha mãe precisa de fisioterapia, mas não há verba (desculpem??).
Enfim, era preciso alguém com coragem para virar esta merda toda de pernas para o ar, mas desta vez começando pelos sítios onde está o dinheiro e não pelos mesmos massacrados de sempre, os trabalhadores, como eu, que descontam uma pipa de massa para pagar subsídios a gente que não os merece. É que somos sempre os mesmos a pagar.

O 25 de Abril foi importante, mas agora precisamos de outro.

*
*

3 comentários:

Melissinha disse...

Pois é, Joana.

Melissinha disse...

chamei-te Joana. Não sei porquê, achei que estava no blog da Joana. Haha. Devo ter apanhado uma moca de limpa-vidros (estou em springcleaning, o meu 25 de Abril pessoal).

Naná disse...

É preciso mesmo!
Mas ainda ontem quando pensava nisso mesmo, tomei consciência de que uma revolução no nosso país agora tem que ter uma origem social e nunca nascerá dum movimento militar, porque não teria qualquer credibilidade nos dias que correm...