terça-feira

Interminável


Acho que quase todas as vidas, quase todas as profissões são cíclicas.
Temos tendência para ir fazendo coisas mais ou menos parecidas, umas a seguir às outras.  A minha profissão é uma pescadinha de rabo na boca! Processa-se e resume-se em poucas e simples etapas: Leitura, tradução, revisão, leitura e vira o disco e toca o mesmo.
Emocionalmente também passo por várias fases, mais ou menos cristalizadas: curiosidade para saber como vai ser o próximo livro; assoberbamento por ver que é tão grande/tão difícil/tão chato; genica para começar a traduzir; cansaço quando a coisa ainda vai a meio e já devia estar próxima do fim; genica quando o dito fim se aproxima; tristeza por ter acabado, afinal foi tão bom de fazer! (Esta última exclamação ocorre apenas depois de o trabalho estar concluído, durante é um ver se te avias!)
O que também nunca muda é a minha indisciplina, que me deixa sempre umas paginitas atrasada em relação ao ritmo ideal.
Nada a fazer, não sei onde ir buscar mais disciplina, mais rigor...
E é assim que estou agora, com demasiadas páginas para fazer nos dias que tenho disponíveis. Estou naquela fase em que queria sentar-me aqui, abrir o ficheiro e começar a traduzir sem parar para comer, dormir, beber água ou qualquer outra coisa. Queria fechar os olhos, mover os dedos pelo teclado e quando os voltasse a abrir ver a palavra FIM.

É um pouco mais complicado que isto, mas vou chegar lá.

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