quinta-feira

Assim Está Bom



Sou uma defensora acérrima da paixão.
Paixão em estado puro, parvo e irreflectido.  Daquela paixão que nos faz desmarcar tudo para passar uma tarde na cama, deixar o trabalho para trás para passear sem destino; daquela paixão que conta as horas até chegar o momento do reencontro; daquela paixão que provoca borboletas no estômago.
Toda a gente devia ter uma paixão assim na vida.
Devia vir na Declaração Universal dos Direitos Humanos e tudo. Porque se ganham anos de vida quando se vive este estado absoluto de paixão.
O que acontece é que este estado abençoado não dura para sempre. E acontece normalmente uma de duas coisas:
A paixão vai evoluindo (mesmo sem darmos por ela) para um sentimento mais sereno, mais seguro e esse sim, permanente (creio);
A paixão acaba-se e as pessoas vão-se afastando, porque não houve evolução de sentimentos e ninguém vive só de paixões passadas.
Claro que era bom (embora um pouco cansativo!) viver em estado de euforia permanente - é uma fase tão boa, tão entusiasmante - mas toda a gente diz que é impossível.
Também não vim aqui tentar afirmar (e muito menos provar) o contrário. Acredito piamente que a paixão quando acompanhada por outros sentimentos acaba por evoluir e dar lugar ao tal sentimento mais calmo e confiante; é esta noção que me enche o coração.
Estou com o mesmo homem há 18 anos (é resistente ele!) e sofri de uma paixão assolapadíssima durante um par de anos - uma coisa louca que nos fez faltar dias - semanas - seguidas a aulas, comer, beber, respirar o outro - mas que foi serenando, foi amadurecendo, foi-se readaptando ao mundo, à vida.
Ainda tenho frémitos desta paixão - olho para ele ao longe e dá-me arrepios, ouço a chave dele a rodar na fechadura e sinto uma borboletagem na barriga, sou capaz de largar tudo e todos para ficar com ele - mas a loucura deu lugar a um amor que me preenche de outra forma - não há lugar onde me sinta mais segura do que no meio dos braços dele, não há nada que mais goste do que estar, conversar, rir com ele.
Questiono-me muitas vezes se este estado também evolui. Se melhora ou degenera noutra coisa qualquer que ainda desconheço. E embora seja grande adepta de viver o presente sem me preocupar demasiado com o futuro, às vezes tenho medo que as coisas mudem.
Porque assim está bom.

*
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6 comentários:

Naná disse...

Muito bom!

Melissinha disse...

As minhas amigas escrevem bem como o caneco.

Ana. disse...

Ohhhh...
;)

Ana C. disse...

Que texto tão apaixonante :)

Princesa Tagarela disse...

...a evoluir será para melhor certamente!!
:)

Notinha de Rodapé: Que texto enternecedor ;)

Té F. disse...

Evoluí sim :) mas continua a sentir-se a borboletagem toda aos encontrões na barriga quando a chave dele roda na fechadura :))
Concordo em absoluto contigo: toda a gente devia ter uma paixão assim na vida!
Bjinho