segunda-feira

Poupar?... Onde?

Toda a gente diz que é preciso poupar, que 2012 vai ser o ano das grandes restrições, dos grandes sacrifícios e da grande consciencialização de que o consumo desenfreado não é modo de vida para ninguém.
Isto está tudo muito bem.
(cá em casa) Podemos cortar nos restaurantes, nas idas ao cinema, nas compras de roupas e gadgets de que na verdade não precisamos e talvez consigamos poupar um pouco mais, é verdade.
Mas se a electricidade vai subir, o gás vai subir, a água, o IVA e o camandro vão subir... lá se vai a poupança.
E as pessoas que não têm por onde poupar, porque já não vão a restaurantes, não vão ao cinema e não compram roupas e outras cenas de que precisam? Essas já não conseguem poupar agora, como vão conseguir fazer frente ao que se avizinha?
Enquanto estudava, trabalhava num supermercado e foram muitas as vezes que fiquei com os olhos cheios de lágrimas porque havia pessoas que compravam umas embalagens de restos de carne e ossos, que deviam ser para cães, porque era a única carne a que tinham acesso...
Sei que numa altura destas andamos todos a fazer contas à vida e a olhar para os nossos próprios bolsos, para o nosso extrato bancário, mas se abrirmos um pouco os olhos não é difícil ver à nossa volta quem precise de ajuda. E isto deixa-me cá com um aperto no peito que nem sei colocar em palavras.
Não consigo imaginar como é viver sem ter a certeza se o dinheiro chega para tudo (ou pior, tendo a certeza que não chega).
Tenho pavor deste futuro negro que nos pintam de cada vez que ligo a televisão, mas sei que não devemos viver com medo, devemos ser optimistas, trabalhar ainda mais, para daqui a dois ou três anos termos a recompensa de todo o esforço.

Por isso, nestas alturas, o lado egoísta entra em acção e só peço muita cabecinha para saber o quê e onde poupar, no meu orçamento.
Pode ser que sobre para ajudar alguém...

*
*

2 comentários:

Joanissima disse...

Fiz alguns planos a esse proposito da poupança. Vai ser um ano mesmo muito dificil mas ja houve tempos piores. Havemos de sobreviver, querida.
E sim, a nossa prioridade cá em casa é pensar no nosso orçamento. Lamento muito nao poder salvar a economia nacional mas a prioridade aqui é mesmo o nosso umbigo.

Ana. disse...

O engraçado é que se a maioria de nós pensar assim, pode ser que as coisas melhorem.
Depois há o reverso da medalha que é a economia estagnar... mas isso fica para outro texto!
;)