sábado

Dos Reencontros


Ontem foi dia de saída com amigos que não via há mais de dez anos...

Foi uma noite cheia de sentimentos contradítórios. Se por um lado fiquei felicissíma por os ter reencontrado e ter constatado que na essência continuam os mesmos, por outro lado fiquei com uma sensação de vazio por ter perdido o contacto durante tanto tempo.

Não sei bem como é que isto acontece, porque não é voluntário, nem consciente. Suponho que quando os percursos se tornam distintos há sempre um certo afastamento, mas também tenho noção de que há pessoas que cultivam melhor as amizades, que se esforçam mais, que investem mais na continuidade das mesmas do que eu.

Sempre disse que os amigos nunca são demais, que os há de vários tipos e que preciso de todos eles. Por isso, depois de uma noite como a de ontem, não consigo entender como é que os deixei fugir durante mais de dez anos... Entretanto as vidas foram avançando, cada uma delas tão ou mais recheada que a minha, as pessoas foram evoluindo, foram tendo filhos, experiências, relações, alegrias, problemas e tudo o que faz a vida de alguém e eu continuei aqui no meu mundinho, concentrada na minha vida, isolada de tudo.

Ontem percebi que não há tempo que apague as coisas que passámos juntos, que partilhámos experiências de que nunca nos esqueceremos. Eles estão aqui, na minha memória e no meu coração, e eu sei que também devo estar no deles. Mas a sensação agridoce mantém-se. Porque já houve alturas em que me fez falta o conforto de quem partilhou o melhor ano da minha vida comigo e que, por um motivo ou outro (ou se calhar por motivo nenhum) eu fui deixando fugir.

Dá sempre jeito dizer que foi a vida que se colocou entre nós, que os percursos se tornaram demasiado distintos, que na altura os telemóveis e os e-mails não estavam tão vulgarizados; mas na verdade são tudo desculpas. Quando se quer manter as pessoas na nossa vida, não há obstáculos.

Não fiquei com vontade de recuperar o "tempo perdido", porque não acredito muito nessa noção. O que passou, passou. A única coisa que podemos modificar é o futuro, não o passado. Mas fiquei com vontade de os rever, de voltar a rir como dantes, de acompanhar as vidas, de saber que eles acompanham a minha. De fazer um esforço para não voltar a perder-me deles.

Eu não tenho muitos amigos, tenho os suficientes, tenho aqueles que me fazem falta. Mas nem sempre foi assim. Durante dois ou três anos só tive o Nuno. E o pessoal de IA fez-me falta.

Mas agora já cá estão.
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3 comentários:

Carla Abreu disse...

Ó Ana... Adorei o que escreveste e confesso que até fiquei com uma lagrimita no canto do olho... É verdade o que dizes. Não há desculpas para deixarmos amigos para trás e, mais ou menos chegados, cada um deles faz falta à sua maneira!
Agora que nós reencontramos, temos que fazer o tal esforço de que falas para estarmos mais perto...
Ontem voltei a sentir o que senti no primeiro encontro. Quando estamos todos juntos, esquecemos o resto do mundo e o tempo recua devagarinho... e de vez em quando isso é tão bom!
Beijinhos e muita saudade.

Carla

Ana. disse...

Beijos, Carla!
E se não for antes, até Dezembro!
;)

Naná disse...

Sei do que falas... no entanto, ao longo destes 10 anos, o contacto foi-se sempre mantendo, por mails colectivos. Ou seja, tinhamos um FB exclusivo! Nunca nos perdemos de "vista" mas há já 6 anos que vamos estando pessoalmente uns com os outros, mas nunca todos juntos como em 2004 no casamento de um deles...! e em todos os casamentos aconteceu algo fantástico: apesar de sermos mais velhos, já com "apendices" há uma mística que nos transfigura e em segundos é como nada tivesse passado e ainda estivéssemos todos a beber copos na esplanada do Tropical em Coimbra!