quarta-feira

Dos Objectivos



Já vamos quase no final de Julho e eu pensava que isto só ia ser complicado até Junho.
Logo no início do ano apercebi-me que estava com o calendário de trabalhos um bocadinho a atirar para o caótico, mas pensei que resolvia tudo (com férias à mistura) até finais de Junho.


Ia apelidar o primeiro semestre do ano, "semestris horribilis" e depois entrava no meu ritmo normal.


Agora, sei perfeitamente que o problema não está na quantidade de trabalho que tenho, que isso é bom, é do melhor; o problema está na maneira como ultimamente encaro esse trabalho. Custa-me. Cansa-me. Pesa-me. E não era assim. Dantes acordava de bem com a vida, contente por ir trabalhar, feliz por poder fazer aquilo que mais adoro, aquilo que sempre quis.
Nestes últimos meses, acordo invariavelmente com a sensação de "oh, não, trabalhar outra vez não..." e isto não me agrada.


Tenho uma amiga que me diz que isto se passa com noventa por cento das pessoas, que a certa altura, toda a gente se farta do trabalho e pensa do mesmo modo que eu. Só que eu gosto de fazer parte das minorias. Queria ser parte daqueles dez por cento que acordam de manhã e pensam "que bom, mais um dia! Vamos lá ver até onde sou capaz de ir hoje."


Chego à conclusão que o verdadeiro problema está no modo como planeio as coisas.
Sou absolutamente irrealista.
Ninguém consegue fazer uma tradução literária de 200 páginas em, digamos, três ou quatro dias. É que não se consegue. Pelo menos, não mantendo uma VIDA, que passa por ter tempo para comer, para descansar, para estar com as pessoas que importam... enfim, essas coisas todas.


O meu problema, é que eu (ainda) acho que sou capaz. Que posso tudo, que chego para eles todos, que não há nada que me derrube. Depois, entra o cansaço em acção e começo a produzir menos, a sentir que as coisas se atrasam, a não cumprir objectivos. O que provoca, por sua vez, uma desmotivação de dimensões épicas...
Odeio deitar-me à noite e ter as palavras "não consegui, não fui capaz" a pairar-me na cabeça. E se devia utilizar esta constatação de falha para compensar no dia seguinte, não, acabo por me deixar arrastar e chego ao fim do dia, mais uma vez, a pensar que não cheguei onde queria.


E isto pesa. Acumula-se no fundinho do peito. Magoa.
O mais absurdo de tudo é perceber que a única pessoa que tem poder para mudar isto sou eu... Então, o que é que falta?

Traçar objectivos exequíveis. Concretizáveis e não megalómanos.
Será esse o ponto de partida.

Já vamos quase no final de Julho e eu ainda não consegui colocar em prática a minha intenção de Ano Novo, que era tão simples... Tenho cinco meses.

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3 comentários:

MARIINHA disse...

Estás a exigir demasiado de ti. Não queiras ser uma super mulher. Com essa forma de estar a fazer o teu trabalho (que gostavas) arriscas-te a ficar saturada dele.
Planeia as coisas mas de uma forma que seja viável, nada de exageros.
Um beijinho Anita e espero que organizes a tua vida/trabalho.

Ana. disse...

Tens toda a razão, Mariinha. Sei disso e espero conseguir organizar-me daqui em diante!

Beijinho!

Melissinha disse...

Vou-te emprestar o livro!