segunda-feira

Cabelos ao Vento!



Eu já tive uma mota.
Foi há meia dúzia de anos e só a tive durante para aí uma semana...
Tinha aquela ideia romântica de andar de mota ao pôr-do-sol, com os cabelos ao vento e uma total sensação de liberdade... Pois.
Achava eu que para ir trabalhar, e uma vez que não tinha carta de carro, o ideal seria ter uma mota - não que tivesse carta de mota também, mas como era uma "acelera" de 50cc, pensei eu que a coisa ia correr bem.
Não correu.
Como não tinha carta e desconhecia o código, tinha um medo de morte de passar em cruzamentos, rotundas e tudo o que não fossem estradas a direito! Ainda por cima tinha medo dos carros que me pelava!

Numa das primeiras ocasiões em que saí para trabalhar, liguei a mota na garagem (lá é que eu andava bem!) e subi a rampa. Acelerei mesmo na medidinha certa para ao chegar à saída da garagem, poder parar e ver se vinha alguém, de carro ou a pé.
Vinha.
Uma velhota a pé.
E eu de mota parada.
A velhota continuou a andar e eu não sei que vipe me passou pela cabeça mas... acelerei como se não houvesse amanhã.
Escusado será dizer que atropelei a velhota - que ficou agarrada a um braço - enfaixei-me entre dois carros que estavam estacionados no passeio do outro lado da estrada, larguei a mota e desatei a fugir para casa.
Nunca mais peguei na mota!
Fui vendê-la ao mesmo lugar onde a tinha comprado. E diz-me o tipo que ma vendeu: A direcção está um bocado empenada. Espetaste-te?

Isto tudo para dizer que ontem fomos jantar com uns amigos (os artistas da foto) que decidiram comprar uma vespa. E eu senti umas saudades imensas, uma nostalgia avassaladora de ter uma mota.
Um dia destes...
Continuo a não ter carta. Mas a coisa era capaz de correr bem!

*

*

3 comentários:

Ana C. disse...

Eu tive uma acelera aos 16 anos, depois uma mítica Dt e tirei carta de mota. Houve uma altura em que alugava uma mota para o fim de semana, acreditas? Não ando há anos, mas tem graça que ontem, enquanto caminhavamos os 4 pela rua até ao restaurante, com aquele calor de noite de verão, disse ao Hugo: É nestas noites que tenho umas saudades loucas de andar de mota :)
A tua aventura é no mínimo hilariante, há muita gente por aí que em vez de travar acelera, num pânico que bloqueia o raciocínio...

Naná disse...

Não sei se diga pobre da velhota ou pobre de ti...
Também eu tenho saudades de andar à pendura na minha Africa Twin... nem imaginas o desgosto que o meu marido teve há 2 anos quando a médica disse que enquanto o nosso estivesse na minha barriga, não havia mota para ninguém...
Tenho saudades mesmo é de andar à noite... ver aquele céu estrelado à minha volta.

MARIINHA disse...

Isso foi mesmo azar Ana. Devias estar cheia de nervos. Quem sabe se agora não corria tudo bem.Nada como tentares, já que gostas. Andavas primeiro por caminhos sossegados e a direito e depois então enfrentavas o inimigo (o trânsito).