sábado


Uma das minhas melhores qualidades enquanto pessoa sempre foi a de saber sonhar.

Não falo de sonhar enquanto se está a dormir, quando não se controla o quê, como ou quem aparece nos sonhos. Neste tipo de sonhos, sou pródiga em situações absurdas, muitas vezes sangrentas, com pessoas que não conheço. (O mais engraçado é quando reconheço alguém, quando lhe vejo todas as características distintivas e de repente o rosto se transforma completamente no de outra pessoa - quando isto acontece, tenho um momento Floribela - ai estou tão confusa!).

Mas não é deste tipo de sonhos que falo. É daqueles que tenho acordada.
Imagino mil cenários onde tudo é possível, ensaio todas as situações, todas as reacções, todas as consequências.
Planeio a situaçao em questão até ao mais ínfimo detalhe, na esperança de um dia saber o que fazer quando as divagações saírem do mundo onírico e viajarem até ao mundo real. Na esperança de estar melhor preparada.

Já aconteceu tantas vezes...

Pode parecer uma coisa idiota, mas gosto de sonhar acordada. Gosto de poder controlar o que se passa na minha cabeça e reconheço que à noite, naqueles minutos (quando não são horas) antes de adormecer, me deixo submergir num mundo onde tudo é diferente, um mundo só meu. Onde tudo acontece como eu planeio.
Às vezes ando semanas a matutar num sonho em particular.

Não vejo isto como uma afirmação da minha mania de controlo, que assumo sem reticências, mas encaro os meus daydreams como uma estratégia para me manter sã, para me afirmar como ser individual, para viajar para os sítios onde ainda não fui, para conhecer as pessoas que não sei se algum dia conhecerei, para viver as coisas que ainda não vivi ou que nunca vou viver...

Eu sei que isto tem cura!
E que estou a passar ao lado de uma grande carreira de argumentista!


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1 comentário:

Anónimo disse...

Magnifica a capacidade de sonhar!