sexta-feira

Cores...

Chama-se Rosa



Ontem encontrei casualmente uma antiga colega de trabalho.

Antes de mais, é preciso dizer que é uma pessoa que não teve uma vida fácil. Nunca teve uma boa vida familiar, e continua a não ter, uma boa vida financeira, nem sequer uma boa vida amorosa.

Não se pode esperar que uma pessoa assim seja uma optimista extraordinária. Porque nós também somos o reflexo daquilo que nos acontece e apesar de haver pessoas que encaram cada obstáculo como uma oportunidade de sucesso, outras há que se deixam abater e nem sequer sabem que existe um mundo para lá da rejeição, do abandono, da tristeza e da dificuldade.


Há dois anos, tive uma série de tendinites em ambos os cotovelos, pulsos e polegares.
Resultado de muito trabalho e algum desrespeito pelo meu corpo. Andei uns meses em fisioterapia e com umas talas que me restringiam os movimentos.
Parei de tal forma que perdi muita força nos braços e mãos.

Mas assim que pude, recomecei a fazer tudo e estou óptima - apesar de continuar a abusar um nadinha!!
Depois decidi ir para o ginásio e foi a melhor coisa que fiz, porque tenho agora força como nunca tive, os músculos mais desenvolvidos e a cuca mais arejada.

Mas voltando à minha colega:

Quando nos cumprimentámos (por insistência minha, porque apesar de me ter visto, ela é de tal forma insegura que - uma vez que eu estava acompanhada - se preparava para passar de mansinho sem dizer nada) e depois das perguntas iniciais, ela diz:

- Então e os teus braços? Ficaste bem?
- Fiquei, estou óptima.
- Mas ainda é capaz de te voltar a acontecer, sabes como é, ossos do ofício...

Falta explicar que a colega em questão é de Administração Pública e que de Fisiatria e Ortopedia não entende nada.
E não é uma pessoa maldosa.
Por isso, esta atitude negativa só se explica mesmo com a natureza dela e o conhecimento que tem da vida: se é mau, é provável que aconteça mais do que uma vez.

Em condições normais teria ficado zangada, enervam-me as pessoas fatalistas.
Mas neste caso entendo-a.
E fiquei com pena.

Quando não se conhecem as cores do arco-íris, acredita-se que o mundo é uma gradação de cinzentos.


*
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2 comentários:

Miss Kin disse...

As minhas gradações de cinzento, continuam à espera de um arco-iris que se mantenha, que não seja, como sempre tapado por mais uma nuvem negra que teima em voltar...

Melissinha disse...

Ó pá tu és mesmo uma pessoa bonita.
Pouca gente faria o mesmo encaixe.

(Eu tenho um problema de LER no ombro há coisa de 10 anos e literalmente habituei-me a viver com dor. O segredo é não pensar muito, ou tentar não pensar nada, mesmo.)