terça-feira

O Que os Olhos Não Vêem...




Às vezes é complicado pensar naquilo que somos e no que os outros vêem em nós.

Uma das maiores surpresas que tive na vida deu-se quando uma antiga colega de trabalho me disse:
"Porque tu tens a mania que tens sempre razão e que és mais esperta que os outros."

Nós não nos conhecíamos muito bem e estávamos a discutir sobre qualquer coisa de que já me esqueci, mas o raio desta frase ficou comigo para sempre.
Porque eu não tenho sempre razão, aliás são mais as vezes em que estou errada e nunca me achei mais esperta que ninguém. E digo isto com toda a sinceridade. Nunca me vi assim. Nunca achei que fosse essa a imagem que transmitia aos outros. E fiquei magoada com aquelas palavras, que nem sequer vieram de uma pessoa amiga.

E claro, pus-me a pensar...
Como é que eu gostava que as pessoas me vissem? O que gostava que pensassem de mim?
Todos nós gostaríamos que toda a gente pensasse o melhor de nós, que todos gostassem de nós e nos achassem o máximo...
E pensei... matutei...
A única conclusão a que consegui chegar é que se as pessoas não me entendem como sou ou se interpretam mal as minhas palavras, acções ou intenções, não há nada que possa, deva ou queira fazer. Cada um é livre de pensar o que quiser. Se há uma coisa que é realmente nossa, em que mais ninguém pode mandar é nos nossos pensamentos.

Por isso se A ou B acharem que sou uma grande idiota, olha, paciência!
Se alguém achar que tenho a mania, pois muito bem que ache...

Não fico propriamente contente, porque gostava que me vissem por aquilo que realmente sou, mas não vou cortar os pulsos por causa disso.
Eu vivo bem com a pessoa que sou. E se eu não fosse eu e me conhecesse em qualquer altura da vida, acho que seria uma grande amiga minha!

Li isto num livro de uma autora a que normalmente nem acho muita piada, mas esta parte quase me assustou, porque achei que ela estava a falar de mim...
Porque é assim que me vejo:


"Não cresceste assim tanto, o tempo apenas te amadureceu no que foi estritamente necessário e ensinou-te que, a partir de uma certa idade, as pessoas deixam de ter idade, passam a ter competências. E a tua é a de seres uma pessoas involuntariamente feliz, que se diverte com tudo porque não tem nada a perder e porque, no fundo, não quer mais do que ser feliz e fazer felizes aqueles que ama. Tu não complicas, não empreendes, não te assustas, não te baralhas e quando te perdes, é de propósito. Imagino-te sempre como agora e tenho quase a certeza que nunca envelhecerás, porque guardas o segredo da felicidade: viver um dia atrás do outro, sem pedir mais ao mundo do que paz, alegria e, de preferência, um bom champanhe. "

in Vou Contar-te Um Segredo, Margarida Rebelo Pinto.


De modos que é isto.
E como aquele anúncio fabuloso do leite: Eu amo-me, adoro-me e não posso mais viver sem mim!!

*
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2 comentários:

Banita disse...

E se tu não gostares de ti, quem gostará?
;)
Beijinhos

Naná disse...

às vezes magoa mesmo perceber que os outros não nos vêem como achamos que nós somos... no meio profissional sou vista pelos meus colegas como a mau-feitio! Ao príncípio custou-me imenso, apesar de eu própria sempre dizer que tinha mau-feitio (e tenho mesmo! fervo em pouca água e não me calo, mesmo quando ganhava mais se fosse hipócrita e cínica...).
Mas também não me perdi a chorar com isso, porque a mim o que me importa é o que pensam aqueles de quem eu gosto e que gostam de mim! Por esses, sou capaz de tentar mudar a visão que têm de mim.
Pelos meus colegas, quero lá saber... por vezes, acabaram por dar o braço a torcer que o meu mau feitio me tem salvo muitas vezes e tem feito com que consiga levar a água ao meu moinho, apesar de dizer o que os outros não gostam!
Por isso, Ana, continua a ser quem és, porque aqueles que interessam sabem apreciar o bom de nós, mesmo com todos os nossos defeitos!