quarta-feira

Uma História de Amor



A Ana C. fez-me um desafio delicioso, como só ela poderia fazer.
Consiste em contar uma, a nossa, história de amor.
No meu caso não foi preciso pensar muito.
Sempre me encontrei rodeada de amor, mas A minha história de amor é só uma.
É só minha e não a dou a ninguém.

[...]

Há coisas que acontecem porque têm de acontecer.
Por muitas voltas que a Terra dê, há sempre surpresas que nos estão destinadas e que mais cedo ou mais tarde nos caem no colo.

Quando acabei o secundário queria ir estudar para Coimbra. Por vários motivos que não interessam nem um pouco nesta história, na minha cabeça já tinha organizado os próximos quatro ou cinco anos. Em Coimbra.
Ao preencher a ficha de candidatura ao ensino superior, no meio da galhofa com os meus amigos, enganei-me no código de uma universidade. Mas na altura não dei por nada. Passei o verão feliz da vida porque tinha a certeza inabalável que, com as notas que tinha, ia para a UC.
Chegou-se Outubro e, surpresa das surpresas: não entrei na UC, mas sim na Universidade do Minho.
Do Minho?!!
Say what?
Depois de alguns momentos de perplexidade percebi que tinha entrado precisamente na única faculdade que não tinha escolhido, naquela cujo código tinha trocado com o de outra (ainda hoje estou para saber qual!).
Chorei baba e ranho.
Não conhecia ninguém em Braga, nunca tinha visitado a cidade e era longe de caraças.
Nem consigo descrever a primeira viagem de comboio que fiz até Braga. Dizer que vim todo o caminho a chorar é pouco.
Mas vim.

É claro que estas coisas não acontecem por acaso.

Um mês depois de ter começado as aulas (e já com um grupo de colegas castiços, tão adeptos da borga como eu), fui a uma festa de anos do amigo de um colega de curso.

O aniversariante era um tipo de barbicha à volta do queixo, gorro de lã na cabeça, calças rasgadas nos joelhos e um sorriso desarmante.
Apesar do ar de reguila era mais tímido do que qualquer outro rapaz que já tinha conhecido e, embora o tivesse acabado de conhecer, passei a noite a meter-me com ele.
Não quero alongar-me em detalhes, mas uma semana depois demos um primeiro beijo. Completamente inesperado, muito inconsequente e sem grande ponderação.

Apesar de numa fase inicial não ter pensado muito no que estava a acontecer, a verdade é que me deixei envolver pelo charme daquele tipo divertido, que me fazia rir como ninguém, que estava sempre bem disposto e que depressa se tornou num bom amigo.
O melhor, com o avançar do tempo.

Passámos por todas as experiências juntos. Boas e más.
Como típicos estudantes, andávamos sempre tesos como uns carapaus, mas arranjávamos sempre uns trocos para mais uma tequilla ou um B52's (os meus favoritos na altura!)
Faltávamos às aulas para ficar a dormir, ficávamos a conversar até às seis da manhã, vivíamos sem pensar que estávamos a construir alguma coisa e não fazíamos planos para a sua duração ou intensidade.
Crescemos muito um com o outro.

As coisas foram acontecendo e nove meses depois decidimos ir viver juntos.
Até hoje.

O Nuno é definitivamente o amor da minha vida.
Não a consigo imaginar sem ele, como um dia não a imaginava com ele.
É com ele que dou as melhores gargalhadas, que me sinto mais eu.
Gosto da maneira pacífica como encara a vida e gostava que existissem mais pessoas como ele.
Ele vê o meu melhor e o meu pior e ainda assim diz que me adora.
É o meu melhor amigo, o melhor amante, o melhor companheiro, a melhor parte de mim.
E são poucas as vezes que nos passamos um com o outro.

Começámos a brincar, sem grandes ambições. E deu certo.

Porque havia um plano superior para juntar uma ribatejana que vai contrariada para o Minho e um Portuense, nascido em Angola, que vai estudar para Guimarães e, também por engano, aluga casa em Braga.

E eu nem gosto de deixar que o destino tome as rédeas da minha vida. Mas às vezes mais vale.
*
*

21 comentários:

Princesa Tagarela disse...

...tu por vezes tens a capacidade (entre outras) de me pôr a rir e chorar ao mesmo tempo...e eu ja estava maquilhada...mas, pronto...

É tudo mesmo assim...

Será caso para dizer: "Ai, Mendes, já fostes e não deste conta..."

E, digo eu: -Ainda bem que foste!

Lindooossss

;))))))

Ana. disse...

Fostes porque foste duas vezes, não é?!!

;)

Ana C. disse...

A tua história é simples, serena, sem planos, sem angústias, tal como às vezes te imagino. Simplesmente aconteceu e temos que nos render que há alguma força invisível que rege isto tudo de vez em quando... Trocares o código da faculdade????
Ai que este desafio já me pôs a chorar, a rir e já me fez pensar que é tão bom ouvirmos o que os outros têm para contar.
Obrigada pela tua partilha, adorei a tua última frase acerca do destino :)

Naná disse...

No meio da tua história, revi-me num pormenor: eu queria entrar em Lisboa, porque sou algarvia e também meti na cabeça que ia entrar! Mas apenas preenchi duas universidades - Lisboa e Coimbra. E Coimbra foi por descargo de consciência...
E foi onde entrei mesmo!
Não foi lá que conheci o amor da minha vida, mas conheci os meus 8 amigos da minha vida!
Muito bonita a tua história de amor, em alguns aspectos parecida com a minha!...
É bom quando encontramos a nossa metade!!
Continua a ser feliz!

MARIINHA disse...

Ana. Não sei se teria sido o destino, mas se não tivesses ido para o Minho, possivelmente vocês nunca se veriam. E aí estão juntos a viver a vossa história de amor.Que continuem um par unido e feliz, muitos beijinhos.

HannaH Sophia disse...

todos os acasos fossem assim...que lindo!

Princesa Tagarela disse...

Ai...gaita...não era "fostes", era fôtis...este meu pretuguês ás vezis é uma nodia...

:)))))!!

Princesa Tagarela disse...

Oh! Porra...é que nem com a garganta a doer te distrais...é que não deixas escapar nada...

Pronto, "FOSTE"...sastefeita...

:DDD
Beijooo

Izzie disse...

Que estranho saber que tudo se passa tão pertinho de mim:)
Em Braga, onde, por motivos de estudo, também vivo!!


Beijinho
Bonita história, destino!

Hydrargirum disse...

Meu Deus...lindo!

Esta e a historia envolta em declaracao amorosa mais bonita que ja vi...(aparte a minha, que tb e mto envolvente:)))

Pq que e que os meus comentarios nao aparecem nos teus posts?

Jinhos:)

Ana. disse...

Ó Hydra, meu amor!
Mas eu aceito sempre os teus comentários!
Juro!
Será da distância?!

Beijos para ti
;)

Ana. disse...

Izzie!

Que bom encontrar uma pseudo conterrânea!

;)

Ana. disse...

Tu és a Princesa mais maluca que conheço! És a princesa da Malucolândia!!

E és perfeitinha assim!

;)

Ana. disse...

Hannah!

Às vezes resulta, outras não.
O importante é saber quando a pessoa que o acaso colocou no nosso caminho vale a pena.
E acho que quando vale, nós sabemos sempre!
;)

Ana. disse...

Sabes Mariinha,
acho que podíamos viver no Burkina Faso que a história seria exactamente igual!
Por isso o teu texto me comoveu tanto, reconheci nele todos os meus medos relacionados com o Nuno...
Um beijo grande, grande para ti!

;)

Ana. disse...

Obrigada Naná!
Espero que possas ter intermináveis momentos de felicidade!

;)

Ana. disse...

Ana C.
O teu desafio foi o melhor de sempre!
É bom escrever sobre o amor.
Parece que, embora nunca deixe de o sentir, escrever desta forma o faz renascer dentro de mim.

BJ
;)

Joanissima disse...

Gostei taaaaaaaaanto.
Tudo doce e sereno e natural como tu es... : )

Ana. disse...

Joanissima,

Ainda assim, é preciso "trabalhar" muito para que tudo continue a fazer o mesmo sentido e para que a "plantinha" não morra.
Mas vale a pena!

;)

Ana disse...

Os ares de Braga têm esses dons:)
Beijo

Banita disse...

Também conheci o Banito na Universidade de Coimbra onde eu tinha a certeza que não ia entrar, pois eu ia entrar em Enfermagem em Évora para estar perto da minha grande amiga de adolescência I!! E agora ela foi para Coimbra para trabalhar... a vida dá tanta volta!!!
Gostei da tua história e como sempre identifiquei-me contigo.