sexta-feira

Os Bancos e a Crise

Imagem tirada da Net


Ontem, no programa do Rodrigo Guedes de Carvalho fez-se uma pergunta que para mim é umas das questões fundamentais no que diz respeito às práticas bancárias da actualidade.
A pergunta era: Será que os bancos facilitam o crédito excessivo?

E a minha resposta é: Não só facilitam como também incentivam.

É que nem de propósito, ontem à tarde, recebi um telefonema em nome meu banco (sim, que eu também sou dona de um banco!!) e tive a conversa mais surreal do mundo com a operadora de telemarketing ou lá o que aquilo é.

Foi mais ou menos isto:
- Boa tarde, senhora dona Ana C.M.L., daqui fala do banco xpto, como está?
- Bem obrigada.
- Senhora dona Ana C.M.L. (porque é que dizem sempre o nosso nome completo?!), o momento é oportuno para lhe colocar algumas questões?
- Olhe, nem por isso porque me doi imenso a garganta, mas diga lá.
- Senhora dona Ana C.M.L. gostaríamos de saber se há algum projecto que gostasse de realizar, alguma ideia que quisesse pôr em prática, uma iniciatia que gostasse de tomar?
- Não.
- Muito bem, e não tem nenhum sonho por realizar, uma viagem para fazer, qualquer coisa assim?
- Não.
- Senhora dona Ana C.M.L, deixe-me então colocar-lhe uma última questão. Há alguma soma, ou verba de que precise e que lhe possamos disponibilizar?
- Não, obrigada.
- Muito obrigada, senhora dona Ana C.M.L e obrigada pelo tempo que nos dispensou.
- De nada.

Ora desculpem lá, mas se isto não é incentivar o crédito de consumo, é o quê?
Felizmente não preciso, porque o que recebemos ainda vai dando para comprar batatas e cebolas para a sopa, mas se estivesse à rasca de dinheiro é claro que aceitava uma oferta tão óbvia.
Depois, ao ler as letrinhas pequeninas acabaria por me aperceber que a taxa de juro era uma exorbitância e que daqui a dois ou três meses ainda estaria mais enterrada em dívidas do que estava antes de aceitar tão generosa oferta. Que é certamente a situação actual de muito boa gente.

É de mim, ou anda tudo a ver se as pessoas se endividam cada vez mais?
Quando é que isto pára?
Quando já não houver bens para penhorar, quando já não existirem casas para dar como garantia?
Como é que as pessoas que se vêem enredadas neste sistema conseguem voltar à mó de cima? Como é que se pagam dívidas com dinheiro que não se tem?

Chiça!
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3 comentários:

Ana C. disse...

Então e as Cofidis da vida? Adiantamos o seu IRS!!! 4000 Euros disponibilidade imediata. A viagem dos seus sonhos à distância de um telefonema. É absolutamente assustador. Do meu banco já recebi mais do que um cheque em casa que me bastava ir levantar a um balcão. Ou seja, um crédito pré-aprovado.

MARIINHA disse...

Tens toda a razão, eles incentivam as pessoas a contraírem dívidas. Para minha casa têm sido vários os telefonemas a oferecerem-me cartões de crédito. Devia ser proibido, quer fosse via telefone, carta ou anúncios. Quem quisesse que fosse procurar o Banco. Beijokas

Banita disse...

E acrescento: penico!!!Estás coberta de razão!!