terça-feira

Apetecia-me estar aqui...



Há três noites seguidas que durmo mal.
É que nem é dormir mais ou menos. É mesmo mal.
Se estou tapada tenho calor, se me destapo tenho frio. Enrolo-me nos lençóis, fico com a almofada torta, enfim, não me sinto confortável.

Mas o pior até nem é isto. São os sonhos que tenho. Ou pesadelos.

É tudo tão macabro, tão estranho, completamente desfasado de qualquer tipo de realidade... Parece que vivo num mundo alternativo onde tudo se passa ao contrário. Onde matar pessoas é aceitável, onde os rios correm vermelhos de tanto sangue e onde as pessoas de quem gosto estão todas mortas. Normalmente estou em locais que conheço bem, mas as ruas não são as mesmas, às vezes misturam-se ruas de uma cidade com casas de outra e árvores que vi não sei onde. O ambiente está muitas vezes envolto numa neblina etérea, sinto o ar impregnado de cheiros fortes e parece sempre que alguma coisa muito má está prestes a acontecer.

Às vezes é um familiar que morre, outras vezes um amigo. A última vez que sonhei que uma amiga minha morria foi tão horrível que não contei a ninguém. Nem vou contar.

Há sempre alguém que me dá as notícias, mas até dentro do mesmo pesadelo este papel não é linear. Já me aconteceu ver o rosto de uma pessoa no corpo de outra; ou ter alguém a dizer-me à gargalhada que o Nuno morreu.

Como hoje.

É tão estranho. Parece tão real, que quando acordo ainda estou a respirar com dificuldade e durante dois ou três segundos fico a pensar que tenho um dia muito difícil pela frente; como é que vou viver sozinha? Porque é que isto tinha de nos acontecer? Há por aí tanta gente má que não anda cá a fazer nada...

Depois percebo que afinal foi só um pesadelo. Que a cama está vazia, sim, mas porque ele foi trabalhar. Nessa altura choro de alívio. Porque o pior do meu dia vai ser carregar a memória daqueles momentos em que pensei que o meu mundo ia deixar de existir.

Mas nem é só por causa das mortes que estes sonhos me impressionam. É que parece que vou buscar os detalhes mais horríveis e atrozes que sou capaz de imaginar para caracterizar o que se passa. Fico chocha para o resto do dia, com um aperto esquisito no peito, sem conseguir respirar devagar.
E depois de três noites sem dormir decentemente, fico sorumbática, (mais) sensível, com dor de cabeça e dizem as más línguas, chata como a putassa!

A ver se esta noite durmo melhor, que eu sem dormir bem fico realmente alterada. Nem para mim tenho paciência.
*
*

2 comentários:

Ana C. disse...

O sono para mim é tão vítal como o ar que respiro. Tu não tens qualquer coisa a preocupar-te? É que eu sempre que tenho alguma coisa dentro da pele, como eu digo, o meu sono fica completamente virado ao contrário, cheio de sonhos pavorosos.

Ana. disse...

Então não tenho, Ana?
Tenho 450 páginas cheias de suspense, mortes do mais sangrento que há e um final pouco feliz...

Mas com ou sem sono tenho de o fazer.
Tu sabes como é.

;)