quarta-feira

Quadrado de Três Lados


Calendário Maia - bem mais complicado que o meu!
Foto tirada da Net

Desde miúda que tenho uma maneira um pouco sui generis, mas absolutamente plausível, de visualizar os meses do ano distribuídos pelo calendário.

Para mim os anos são quadrados.
Têm quatro faces - óbvio.
Mas quando começo a agrupar os meses e a distribuí-los pelos lados do quadrado só consigo preencher três deles. E não sinto que nenhum dos quatro fique vazio. O que acontece é que o meu quadrado se transforma numa espécie de triângulo de quatro lados.
Confuso? Nem por isso.

Vejamos:
Os meses de Janeiro a Maio - inclusive - compõem a primeira parte do ano, todos muito alinhadinhos ao lado uns dos outros, pacientemente à espera da sua vez de brilhar. É a altura do ano em que mais gosto de trabalhar e consigo sempre fazer mais do que julgava que seria capaz.

Depois segue-se um ângulo de noventa graus, em sentido descendente, e surge uma nova face do quadrado com os meses Junho e Julho que não são mais do que a preparação do apoteótico mês de Agosto - que embora faça parte desta segunda face está num patamar um pouco mais elevado. Todo o Verão se concentra em Agosto, não por ser o mês típico das férias, mas porque é o meu mês e passo o ano todo a desejar que ele chegue. Não me ralo nada com o facto de ir ganhando anos, muito pelo contrário: o dia dos meu aniversário é o ponto alto do ano.

Novo ângulo, desta vez de quarenta e cinco graus para a esquerda, onde se arrumam os meses de Setembro a Dezembro. É a altura do ano em que me sinto mais preguiçosa, rezingona e talvez até um pouco melancólica - coisa que não faz muito parte do meu imaginário, mas vá...

Fica a sobrar uma face do quadrado, que talvez vá sendo preenchida com os desejos, as realizações, os desgostos, as gargalhadas, as lágrimas - muitas lágrimas - e tudo o que faz de mim uma piegas de primeiríssima classe. É um lado que só se materializa mesmo no fim do ano, quando passo algum tempo a pensar no que foi acontecendo. Não faço balanços exaustivos, mas penso nas coisas boas que quero ver de novo e nas menos boas que por esta altura já devem estar no lugarzinho delas, guardadas lá longe, onde já não me podem magoar.

Neste momento sinto-me no fim da recta de Dezembro, a querer subir para o grande planalto que começa em Janeiro, ansiosa pela energia e coragem que o início do ano promete.

Porque a nossa vida é feita de ciclos.
E já me sinto pronta para embarcar no próximo. No meu quadrado de três lados.

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