sábado

Rebanhos e Outros Que Tais...




Detesto pessoas que se comportam como ovelhas e andam umas atrás das outras, aos rebanhos, sem pensarem de facto no que estão a fazer, a dizer ou a desejar.

Custa-me aceitar aquelas pessoas que não são capazes de pensar pela própria cabeça, de ter ideias autónomas e de escolher o que recheia as suas vidas.

E quando ouço alguém dizer(mulher, leia-se): "Até nem gosto muito de botins, mas agora usa-se...", bem, fico possuída! Que falta de identidade colossal. Que pobreza de espírito.

Já sei que não sou ninguém para julgar os outros, mas os meus pensamentos sempre foram e serão meus, saídinhos da minha cabeça, sejam eles correctos ou não- de acordo com o padrão que alguém se lembrou de instituir nesta sociedade louca e cheia de contradições em que vivemos.

Nada define melhor a minha sede de autonomia intelectual como este poema que gostaria de ter sido eu a escrever (felizmente o Régio antecipou-se!):


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

José Régio, "Poemas de Deus e do Diabo"

2 comentários:

Joanissima disse...

A isso chama-se personalidade.
E parece-me fantástico!!

A. disse...

Obrigada, Joanissima!