terça-feira

Carochinha...


Era uma vez uma Carochinha muito bonitinha, que já ia nos trinta, tinha casa própria - um apartamento muito jeitoso na Foz - um carro - potente até de mais para o seu pé levezinho - um emprego interessante e compensador, uma família que se orgulhava dela - e que não a chateava muito - e um punhado de bons amigos.

Ao fim-de-semana ia ao teatro e ao cinema, depois de jantar nos restaurantes mais in do momento. Outras vezes ia dançar com as outras carochinhas e não era raro encontrar um carocho que lá lhe chamava a atenção. Ora, esta carochinha era inteligente. Nenhum carocho entrava no apartamento muito jeitoso. "Não, no meu santuário, não", dizia altiva às outras carochinhas, que acenavam com a cabeça em gesto aprovador. Da última vez que um carocho tinha ido lá a casa, tinha partido uma jarra da Vista Alegre com uma camisa atirada ao acaso.

Aparentemente era uma carochinha que tinha tudo.
Era a inveja das carochinhas casadas porque não tinha marido para lhe cortar as asas e filhos a torrar-lhe a paciência; e também a inveja das solteiras, porque tinha os homens que queria e com um piscar de olhos apenas era capaz de encontrar companhia para qualquer dia... e qualquer noite.

Um dia, a Carochinha andava a aspirar a casa e encontrou uma fotografia debaixo do sofá.

Tinha sido tirada há mais de cinco anos, numa tarde solarenga de outono.
Nela estava um casal de carochos apaixonados, com o sol no olhar e o sorriso que só o amor consegue provocar.
A Carochinha desligou o aspirador, sentou-se no sofá e olhou para a fotografia... Parecia ter sido tirada há uma eternidade e no entanto lembrava-se daquela tarde como se tivesse sido só há uma semana.
Naquela tarde o carocho tinha-lhe dito:

- Carochinha, encontrei este tostão enquanto andava a verificar o relatório e contas da empresa, por isso... queres casar comigo?
- Sim! - Respondeu a Carochinha sem querer acreditar na sua sorte.
- Então vamos começar a preparar a casa; podes deixar de trabalhar, que agora tenho dinheiro que chegue para os dois, e vamos sem demoras dar início à família com que sempre sonhámos! Olha que quero pelo menos seis carochinhos!

E foi nesse momento que a Carochinha, que nunca tinha sonhado com uma prole tão numerosa, se apercebeu que as histórias de encantar só encantam mesmo nos livros e que é urgente fazer-lhes uma revisão, porque não está correcto andar a ensinar às criancinhas que todas as histórias acabam bem e que todos são felizes para sempre.

The End...
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3 comentários:

ZapporssoN_81 disse...

História interessante:)
Esta coisa que se chama vida é às vezes um bocado dificil de se lidar...
Adoro a vida de carocha livre e senhor do seu nariz, mas em dias como o de hoje apetecia-me ser o carocha lá da fotografia...
Faz falta

Simplesmente...eu!! disse...

:) :) ;)!

Sim, é urgente... coitadinhas das carochinhas pequeninas!

Y colorín, colorado, este cuento se ha acabado!

Nikky disse...

Gostei! Penso muito nisso... :)